O Prisioneiro - Anand Dílmar

by - 7/26/2020


Título: O Prisioneiro
Autor: Anand Dílmar
Editora: Sextante
Ano: 2018

O prisioneiro é mais um livro recebido na Caixa do Clube Skoob, nesse caso foi na caixa Comunicação (#28). 
Ele conta a história de um rapaz que se encontra em uma cama de hospital completamente imóvel. Ao analisar a situação e ouvir o que é falado ao seu redor, ele entende que está em algum tipo de coma, mas com os olhos abertos e consciente. O problema é que ninguém sabe disso. Tentam fechar os olhos dele, mas não conseguem, acham que ele não pode escutar nem ver nada. Só que ele escuta e vê tudo. 
Ao se perceber nessa situação a primeira coisa que ele sente é desespero. Ele se sente um prisioneiro dentro do próprio corpo, não tem como falar, não consegue reagir, nem mostrar a ninguém que ainda está ali. 
Depois de um tempo sozinho, ele começa a ouvir uma voz dentro de sua cabeça e conversar com ela. Era voz da sua consciência. 
Essa voz vai mostrando e explicando como ele só tem a si mesmo para culpar pela sua condição e pelos acontecimentos de sua vida, e mostra como as escolhas dele traçaram o seu caminho. Com isso a história vai caminhando ao acordar ou não do personagem. 


Não sei se a intenção desse livro era ser um livro de autoajuda, pelo menos eu não peguei achando que era. Mas em alguns momentos foi o que vi nele. 
Quem já passou aqui antes sabe que não sou muito fã de livros de autoajuda. Acho que a maioria deles são mais do mesmo e que só servem quando você está precisando de um tapa na cara. Porque eles repetem o que você já está cansado de saber. Então não nego que às vezes dá pra tirar algo deles. Por isso, mesmo não sendo fã reconheço o mérito de alguns (digo alguns porque tem muitos livros de autoajuda que acho simplesmente intragáveis). 

Quando o personagem se vê preso na sua situação e sua consciência explica que isso é resultado de suas escolhas ele passa a culpar meio mundo menos ele mesmo. O que muitas vezes é o que muita gente acaba por fazer. Precisa de certa evolução pessoal para entender que as consequências de nossas vidas são (em grande parte) de responsabilidade nossa. Então achei o assunto até interessante porque principalmente nesse momento da vida, em época de pandemia muita gente coloca a culpa de não conseguir fazer nada na pandemia, e nem sempre o motivo é esse (ou só esse), mas às vezes é. Mas ao mesmo tempo vem aí o que me deixa sempre irritada com livro de autoajuda, ou livros com mensagens como a desse. 

Sim, você até consegue controlar sua vida. Muito é consequência de suas próprias escolhas claro, mas não é 100%. No caso como falei da época que estamos vivendo, por mais que eu queira ser extremamente produtiva, pode ser que a pandemia me deixe psicologicamente abalada e eu não consiga fazer nada, e pode ser que isso me afete de uma tal forma depois. Seja pelo tempo realmente perdido ou só pela sensação de tempo perdido. Isso significa que a escolha de perder tempo foi minha, que a culpa foi minha? Não. Eu ter ou não ter condições de fazer algo não depende necessariamente de escolhas. E pode falar o que quiser quase ninguém é super zen a ponto de conseguir ignorar tudo e conseguir ficar com o psicológico 100%, por mais que queira.

Uma coisa que me deixou doida em A Sutil Arte de Ligar o Foda-se é que o autor fala que até o tempo que uma pessoa sofre o luto pela morte da outra é de escolha dela. Eu achei uma das coisas mais frias e sem noção de se dizer. É claro que é verdade que muito da sua vida você pode controlar, mas ninguém tem botãozinho de comando para nada. E esses livros que falam que TUDO depende de você parece que supõem que esse botãozinho existe. E isso fica um pouco presente nesse livro.

Esse livro tem um momento em que a consciência fala:

Você também era livre para pensar o que quisesse e, assim, escolher como se sentia. (pág. 23)

Como falei, essa coisa de você "escolher como se sente" não existe, você pode ir aprendendo a lidar com situações diferentes, mas ESCOLHER como se sente, não.

Por isso esse tipo de mensagem na maior parte pra mim não funciona. Saber que uma grande parte de tudo que nos acontece é de responsabilidade (ou culpa) nossa é importante e fundamental, mas não dá para ser sem noção também.

No caso do que aconteceu com o personagem para ele estar naquela condição foi responsabilidade dele, escolha dele, mas não dá pra generalizar todos os aspectos da vida como o livro acaba por fazer.

Apesar de a mensagem do livro não me agradar muito isso não quer dizer que eu tenha achado ele ruim (impressionante não?!). O livro é curtinho e a história vai te deixando curioso. Ele fala tanto de aceitar a situação como consequência das próprias escolhas que eu não sabia se o personagem ia sobreviver ou não, isso me deixou curiosa e me fez querer ler o livro até o final.

O livro teve sim reflexões válidas pra mim. Em um momento ele fala que estamos tanto atrás de várias coisas que esquecemos de agradecer aquilo que temos. Na sociedade de hoje isso é muito comum, cada vez menos valor ao alcançado e mais desespero pra conquistar mais. Claro que não acho que a gente deva congelar no mesmo lugar, mas sim a gente precisa dar mais valor para o que temos, quem temos. Também fala de como a culpa só serve para que prejudiquemos a nós mesmos, e isso achei bastante interessante também.

Lá pro final do livro temos o seguinte:

O que o mantêm preso? Do que você é escravo? Das feridas que teve quando criança? Dos traumas de infância? Do que outra pessoa decidiu que você deveria ser? De um relacionamento frustrado? De um emprego que não gosta? Da sua rotina?
Liberte-se! Tire das costas a bolsa em que guarda ressentimentos, arrependimentos e culpas...Todos os dias você tem a oportunidade de recomeçar. (pág. 106)


Achei essa citação bem legal. Às vezes a gente se deixa congelar por coisas que não podemos controlar ou que podemos deixar passar.

Mas parando de analisar esse monte de mensagem que o livro com pouco mais de 100 páginas quer passar, que como disse pra mim me irrita mais do que funciona, a história é interessante. Da uma certa agonia para saber o final, se ele vai acordar e isso me manteve sentada até terminar o livro.

Resumindo. O Prisioneiro é um livro com uma história interessante, algumas citações legais, mas com um monte de mensagem que só seria possível colocar 100% em prática se fossemos uma maquininha. 
Dei 3 estrelas e meia pra ele na minha página do Skoob, porque querendo ou não ele me prendeu até eu terminar.
Para quem gosta de autoajuda é um prato cheio, para quem não gosta tanto pode valer pela história rapidinha que nos deixa curioso.

Para quem se interessar em adquirir o livro, ele está disponível tanto físico como digital na Amazon. Inclusive o livro em capa dura está baratinho só clicar aqui.

Espero que tenham gostado.
Nos vemos em breve.

 

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