segunda-feira, 20 de maio de 2019

Os Meninos que Enganavam Nazistas - Joseph Joffo





Nunca tinha ouvido falar desse livro, e nem do filme que descobri mais tarde que existia.
Mas está na lista dos melhores livros que já li na minha vida.

Esse livro na verdade é uma autobiografia dos anos que Joseph Joffo passou fugindo, com sua família dos nazistas, por serem judeus.
A maior parte do livro se trata da fuga dele e do irmão Maurice, mas em alguns pontos temos novos reencontros com a sua família.

Quando os irmãos começaram a fugir, Joseph tinha 10 anos e Maurice 12. E já tão cedo tiveram que entender as dificuldades da vida e tentar entender um preconceito que até hoje permanece inexplicável. 
Até o momento daquelas estrelas douradas serem obrigatoriamente colocadas em seus casacos, eles era crianças francesas normais. Mas chegando a estrela tudo mudou. 
Já no primeiro dia em que eles têm que usar a estrela dourada para ir para a escola, um grupo de crianças se junta para bater em ambos os irmãos.
Foi aí que seus pais perceberam que estava na hora dos dois meninos fugirem, ou logo seria tarde demais.

Uma parte que acho que vale a pena compartilhar logo do começo que é interessante e tocante, quando o pai deles está explicando como serão as coisas daqui em diante é a seguinte:


- Finalmente vocês precisam saber de uma coisa. Vocês são judeus, mas nunca admitam isso. Entenderam?NUNCA!
Ambos fazemos que sim com a cabeça.
- Não dirão nem mesmo para o melhor amigo de vocês, não sussurrarão isso em voz baixa, negarão para sempre. Entenderam bem? Sempre negarão. Joseph, venha cá.
Levanto e me aproximo, embora não o veja.
- Você é judeu, Joseph?
- Não.
Sua mão estalou com toda força na minha cara. Nunca tinha batido em mim antes.
- Não minta! Você é judeu, Joseph?
- Não!
Tinha gritado sem me dar conta, um grito definitivo, firme.
Meu pai se levantou.
- É isso. Acho que eu disse tudo que eu tinha pra dizer. Está tudo claro agora.
Sentia o meu rosto arder, mas tinha uma pergunta que não queria calar, desde o começo da conversa. Precisava de uma resposta:
- Pai, eu queria saber: o que é um judeu?

Ter o Joseph perguntado isso pro pai, me tocou bastante e chamou minha atenção. Ele sabia que ele tinha que fugir, ele sabia que ele era odiado pelo que ele era, mas ele sequer sabia o que significava ser o que ele era.
Em alguns outros momentos do livro, mesmo já estando fugindo dos nazistas ele continua sem entender, e não importa quanta vezes eu leia isso, é uma coisa que sempre corta meu coração. Temos isso, numa outra passagem, onde eles são pegos por um soldado da Gestapo:

Não consigo entender a violência daquele soldado. Seus empurrões bruscos, a metralhadora apontada, seus olhos, principalmente... Parecia que o sonho da sua vida seria me enterrar na parede: por que isso?
Sou inimigo dele?
Nunca nos vimos, não fiz nada para ele, e ele quer me matar.

O livro é cheio de passagens interessantes e marcantes. Não existe um momento nesse livro em que a história fique chata ou desinteressante.
É um livro tão lindo que nada do que eu falar aqui vai fazer jus a ele. Esse é um livro que eu, com toda certeza do mundo, vou ler mais uma vez futuramente.

Inclusive, não vejo a hora de ver as duas adaptações desse livro. A primeira de 1975 (que aparentemente não agradou muito ao Joseph, mas eu sou curiosa) e a outra de 2017. Assim que eu assisti-los eu venho aqui contar o que eu achei.

Estou inclusive, curiosa para ler os outros livros escritos pelo Joseph. Vou tratar de procurar logo mais.

Pra finalizar:

Indico demais esse livro, e como disse, com certeza é um dos meus livros favoritos. Tocante, marcante e lindo.

Só uma notícia triste: Joseph Joffo faleceu no final do ano passado em 06 de dezembro de 2018, aos seus 87 anos. Uma perda, mas passou pra nos deixar histórias lindas! CONHEÇAM!!!

Se vocês já leram esse livro, me contem o que acharam, porque pra mim ele é inesquecível!

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